Entre ódio, ignorância e cosplay: o caos de ser minoria online
Escrito por Lorena Domingos
Publicado em: 26/11/2025
Transfobia
Ultimamente ando cada vez mais incomodada com a transfobia na internet. Parece que o ódio conseguiu entrar no meu algoritmo, que teoricamente era só maquiagem, roupas e programação.
Mas não é só isso que quero falar. Juntei tudo porque vem do mesmo lugar: falta de empatia.
Usam “biologia” de forma torta pra questionar a existência de pessoas trans. Pegam conceitos pela metade, interpretam do jeito que querem e ainda colocam o nome de cientistas no meio pra dar cara de verdade. Isso é perigoso demais. Se já somos vistas como menos humanas, agora eles se agarram em influenciadores pra confirmar preconceito, usando aquela velha falácia da autoridade.
Radfem
Outro grupo que ajuda a espalhar isso são as feministas radicais trans-excludentes. Criam um espantalho da mulher trans usando casos isolados como se fossem regra. Só serve pra alimentar mais desinformação.
Nós mulheres trans não somos suas inimigas, apesar de termos vivências diferentes, ainda lutamos contra a mesma coisa e me pergunto o porquê é tão difícil de entender isso.
Racismo
Também quero falar da comunidade de anime. Teve o caso da Ashley, que acabou tirando a própria vida. Tem gente dizendo que racismo não foi gatilho. Difícil acreditar quando existe um problema enorme disso nesse meio.
Isso aparece sempre que uma pessoa negra faz cosplay de uma personagem japonesa que, detalhe, também não é branca. Os argumentos desses ataques são tão sólidos quanto gelatina no sol: “Descaracteriza o personagem”, “Se é negra, faça personagem negra”, ou o clássico “Se não aguenta, não posta”.
Fico me perguntando se estou em outra realidade. Mas não. As pessoas ruins ganharam voz e as redes sociais, que deveriam moderar, seguem falhando miseravelmente. Esse texto se trata de um desabafo, não é nada profundo com argumentos estarrecedores, mas dá pra se tirar alguma coisa disso, caso queira.
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